Conheci o sul coreano Jaemin Song em Plovdiv, Bulgária, em 2015. Cantou-me o Anel de Rubi de Rui Veloso mal soube que eu era português — ele estava a viajar e empenhou-se em aprender uma música de cada país que visitava. Em 2017 veio para Portugal estudar na Faculdade de Letras e deu uma aula sobre a DMZ, Zona Desmilitarizada entre as duas coreias, os 2 km acima e abaixo da fronteira. Falou um pouco sobre o serviço militar obrigatório e alguma da história da relação entre os dois países. Ainda nesse dia, convidei-o para almoçar e no final deu-me uma aula sobre a nova escrita coreana.

A nova escrita coreana é particular porque, ao contrário de outros alfabetos, sabemos a origem e o significado dos caracteres. A forma dos caracteres tem uma razão de ser — está associada à simbologia do Tao, que exprime a ideia de ciclo/renovação, presente na Natureza; e também se relaciona com a origem do som no aparelho vocal, por exemplo, a posição que a língua faz para exprimir a vogal ou consoante. Neste sentido, é uma escrita intuitiva, simbólica e graficamente lógica.

A consoante N, por exemplo, escreve-se ㄴ, cuja curvatura exprime não só a posição da língua durante a vocalização do som ‘n’ — toca nos dentes de cima — como, simbolicamente, representa uma língua de fogo.

Consoantes.

Vogais. Esquematização gráfica por Sílvio Vieira.

O rascunho da aula, feito por Jaemin Song na mesa de jantar.